Imagine um comandante de um navio ou de um avião que não sabe para onde ir. Uma viagem impossível, não? Pois muito parkinsoniano vive assim, sem rumo, seguindo o fluxo. Dorme, acorda, levanta e faz as mesmas coisas. Repete os mesmos programas e as mesmas sensações. Se lhe perguntarem aonde quer chegar, o máximo que conseguirá definir é o seu ponto.
Há um verso do poeta português Fernando Pessoa que fala sobre os momentos em que é preciso abandonar as velhas roupas, os velhos hábitos e os velhos caminhos e se lançar em algo novo, ainda que totalmente desconhecido. O poeta termina seu texto afirmando: "e quem não fizer isso, terá ficado à margem de si mesmo". Resumindo, ele sentencia os medrosos à frustração de não terem se dado outra oportunidade de serem felizes, preferindo permanecer na situação já conhecida, mesmo que ela seja ruim.
Podemos passar a vida inteira presos a uma história infeliz ou nos libertarmos dela para criar e viver uma nova vida. É só escolher! Problemas todo mundo tem, inclusive, aqueles que se julgam "sadios", mas, continuo afirmando que mesmo diante das adversidades da doença que nos acomete, há sempre dois caminhos à nossa frente: o do sofrimento e o da superação. O primeiro é bastante atraente porque não nos cobra reação. Com ele, assumimos o papel de vítima e nos lamentamos. Às vezes, até conseguimos alguns benefícios eventuais, porém, a cada dia, nos afundamos ainda mais no fracasso. Para sair dessa situação, é preciso coragem e clareza para ver a realidade como é, além de determinação e criatividade para encontrar saídas. É preciso força, para não desanimar. É preciso realmente que haja superação.
Tem uma frase do neurologista que me trata – Dr. Wagner Horta, quando do diagnóstico da doença, que nunca esqueci: "Edgar, a doença de Parkinson é como uma escada. Existem vários degraus. Você pode até descer alguns degraus, mas a escolha de subir ou descer será sempre sua".
"É um grande privilégio ter vivido uma vida difícil". Esta frase é de Indira Gandhi e para a maioria dos ocidentais é uma aberração, porque ao contrário dos hindus, o sentido da vida para eles é o que se vê logo adiante.
Reflita sobre seu comportamento.
Os pensamentos e as emoções só permanecem conosco se os acolhemos. Eles não têm vida própria.
É importante sabermos o caminho correto.
2 comentários:
Salve grande amigo guerreiro, fico contente com seu retorno.
Parabéns pela matéria.
Um forte abraço,
do amigo Badu
Caro amigo Badu.
Você sabe a importância das palavras e das atitudes para com os nossos companheiros e não poderia deixar de dar minha pequena colaboração para a grande família parkinsoniana. Assim como os hindus, acredito que estamos de passagem e aqui é a nossa chance de aprender e evoluir.
Postar um comentário