HOMENAGEADO DA SEMANA -  Baldoíno Soares 

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição. É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos, sem distinção de raças, nem de crenças. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros, antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus. O amor ao próximo inclui o esclarecimento, a todo tempo em que se faça útil e necessário.       


Trabalha como voluntário da ABP-Associação Brasil Parkinson e é cuidador de sua irmã, que é parkinsoniana.


Depoimentos de Baldoíno: 

“Tenho uma irmã, 81 anos, viúva sem filhos que esta com Parkinson. Sou seu irmão mais novo, ela minha irmã mais velha, minha segunda mãe, resolvi abraçar e dar atenção e dignidade de vida para ela, isso é uma meta de vida que tenho.“

“A prevenção é a palavra de ordem, existem muitas pesquisas e informações na Internet. Nós os cuidadores precisamos estar a frente dessas novidades para podemos ajudar nossos entes queridos e amigos DP.”

“Sabemos o quanto o stress acomete a todos no convívio com a DP. Precisamos ser fortes, o nosso ente querido que foi e é importante em nossas vidas precisa do nosso apoio, do nosso cuidado, da nossa paciência, do nosso amor.”

“Nossa integração e interação resultam em benefícios para todos, sei que alguns amigos têm justificativas suficientes para não participarem ativamente, respeito à opinião deles, afinal de contas cada um sabe onde o sapato aperta."

"Minha intenção em insistir em participação ativa (dos parkinsonianos) é que como cuidador tenho uma visão e vocês guerreiros lutadores incansáveis outras mais realistas que podem atingir aquilo que todos querem.”

Toda quinta-feira, o blog irá homenagear uma pessoa que faz parte da grande família parkinsoniana. 

Se você, amigo(a) parkinsoniano(a) quiser homenagear outro PK, cuidador, médico etc, o material deverá ser enviado para o e-mail: agricolaed@hotmail.com


Após decidir o que precisa ser feito para melhorar sua vida... faça!

Muitos tipos de pessoas falam demasiado. Prometem fazer coisas (igual políticos em época de eleições com promessas irrealísticas), atropelam a realidade, possivelmente movidas por impulsos emotivos, sem uma base emocional competente. Ou podem ser pessoas caladas, tímidas, e “atoladas” em problemas porque não atuam em cima da verdade sobre elas mesmas e sobre a vida que elas já conhecem. Competência emocional é o fundamento da estrutura afetiva da personalidade que gera uma vida eficaz. Muitas de nossas motivações são contaminadas e ainda imaturas. Algumas, por sinal, muito perversas. E os resultados são atos maus, egoístas, corruptos, violentos, destruidores de famílias, relacionamentos e vidas humanas. Competência emocional é a capacidade de você lidar com suas emoções de uma maneira que possa ter a razão no controle, sem ser uma pessoa fria, e, assim, obter resultados criativos, positivos, benéficos, construtivos para si mesmo, para sua família e para a sociedade. Não se adquire competência emocional em farmácias. Nem em clínicas ou hospitais sofisticados. Também não se consegue em Universidades, livros de auto-ajuda, e mesmo em terapias psicológicas. A compreensão intelectual não resolve o problema emocional da pessoa. A verdade precisa entrar no coração (no mais profundo da mente, também chamado de espírito) e ali operar uma mudança radical. Se a fonte dos pensamentos, sentimentos e ações – o coração – não for purificada, só muda o exterior, a superfície da pessoa. Evidentemente que neste processo de crescimento emocional rumo a uma competência, está envolvido alguma compreensão de si a qual pode ser ajudada pela leitura de um bom livro, alguma psicoterapia séria, algum estudo teórico equilibrado sobre comportamento humano, algum grupo de ajuda. Entretanto, o desafio de todas as pessoas é fazer. O difícil é fazer. A pessoa muda quando ela muda. Compreender é um passo. Sem compreensão não é possível crescer. Conhecer a verdade sobre nós mesmos, nos abre o caminho para a libertação. A verdade liberta. Mas que verdade? Na que envolve, primeiro, saber quem sou. Por que faço o que faço e não faço o que não faço. Por que sou desse jeito que sou? Não é por acaso que somos o que somos em termos de personalidade e caráter. O sofrimento emocional (mental, comportamental, em seus relacionamentos com pessoas) que você tem hoje em sua vida tem uma causa. Esta causa precisa ser compreendida para que a cura se processe. Não adianta tomar remédio sem conhecer a verdade – a causa. Então, conhecer é um passo. O segundo passo, aliás. O primeiro é reconhecer que você precisa mudar e quer mudar. Não porque tem alguém lhe perturbando e forçando a mudar. Mas por si mesmo. Porque você não quer ficar só numa maquiagem comportamental que desmancha assim que chega em casa e fica a sós, ou quando termina o efeito da bebida ou da droga que usou para fugir de si ou da dor (maconha, cocaína, ecstasy, crack, sexo, trabalho, diversões, comida, viagens, compras, etc.). Outro passo é tomar atitudes para a mudança. O difícil é fazer. Fazer é difícil. Mas sem fazer, nada muda. É preciso dar o primeiro passo rumo a um comportamento DIFERENTE daquele que você está habituado. Hábitos podem ser mudados. Remédios não mudam isto. Eles mascaram a dor. Só isto. Há o momento para seu uso. Mas não se engane. Eles não mudam o seu coração. Os médicos e os psicólogos, também não tem o poder de mudar uma pessoa. Só podem orientar, quando sabem fazer isto! Eles nem sempre sabem o que fazer ou dizer para o paciente! O resto é com você. Faça. Atue. Após decidir o que precisa ser feito para melhorar sua vida por ter compreendido a verdade sobre aquele assunto, aja. Não deixe para a próxima segunda feira, ou para amanhã. Comece AGORA. Tenha fé que a mudança será operada em sua pessoa. O difícil é fazer. É verdade. Mas você tem a escolha. Você pode escolher um novo e melhor comportamento. E praticá-lo. É praticando que ocorrerá a mudança. Não é indo a um novo profissional de saúde que “é muito bom”. Ou mudando de remédio.


Carta do inglês, o intrometido Sr. Parkinson, ao seu portador


Oi, queria pedir desculpas, pois cheguei de mansinho... Fui me alojando sem ao menos lhe pedir licença e você ficou tanto tempo aí sem nem se dar conta de que eu já estava aqui, me alimentando...
Desculpe se te assustei quando apareci, a maioria das pessoas fica sem saber o que fazer quando me vê. Uns choram, outros se desesperam... Uns vivem comigo e outros morrem por mim...Mas eu tenho dois lados e você pode não enxergar isso: tenho o lado ruim que causa mal às pessoas e faz com que elas se sintam impotentes e incuráveis. Mas tenho um lado bom que supera e vence o mal cada vez que vejo um brilho nos olhos de quem me acompanha: de todos os males que eu causo, provoco um bem maior chamado amor à vida, pois quando as pessoas me descobrem dão valor a tudo que têm... Isso, nem mesmo eu posso vencer...

VIDA DE PARKINSONIANO
As nossas vidas são feitas de altos e baixos, de períodos on e períodos off e também de alegria e felicidade, porque não?
É bom parar um pouco. Parar para mim, parar a minha mente, os meus pensamentos. Olhar para dentro de mim mesmo e sentir apenas a respiração. A minha energia, que atravessa o corpo permanentemente. A energia, que tantas vezes bloqueio com os meus problemas.
Faz parte da aprendizagem nesta vida ultrapassar os obstáculos e saber viver bem cada gota de felicidade, que Ela nos dá. Provavelmente a maior parte dos parkinsonianos vê sempre os obstáculos e poucas vezes a felicidade... Mas acho que a questão é a forma como encaramos uma e outra.
Os obstáculos nunca são bem-vindos, porque podem envolver mudanças nas nossas vidas, e o ser humano é avesso a mudanças. Nestas circunstâncias, temos de agir de forma diferente, temos de imprimir uma energia extra para conseguir avançar, mesmo com este mal que a Vida nos colocou à frente. Mas se o fizermos com a consciência de que esse mal tem um propósito, um objetivo, poderemos encarar esse mesmo obstáculo com mais determinação e com mais garra. Sim, temos de nos tornar lutadores, soldados de guerra, para conseguirmos conviver e lidar com o Inglês, o “Sr. Parkinson”, o intrometido, que se meteu nas nossas vidas. Não, não é fácil. Caem lágrimas, muitas vezes. Aparece uma dor agonizante... Mas temos de encarar “Sr. Parkinson” de frente. E não adianta virar-lhe as costas, porque ele vai estar lá, todos os dias, para caminhar lado a lado com você. Para que sofrer? Se na verdade é tão simples ser feliz...
E a Felicidade? Como a encaramos? Não falo de felicidade de curta duração, de uma paixão. Falo sim, daquela sensação de estarmos gratos pelo que temos, de acordar de manhã e agradecer por estarmos vivos, sem fome, por termos uma família que nos apóia... Saberemos nós, dar valor a essas sensações?
Sim, temos altos e baixos. Não é possível estarmos sempre felizes. Mas poderemos esforçar-nos um pouco mais, parar de nos queixar...
Uma atitude positiva perante os obstáculos é essencial para minimizar a tragédia. Devemos viver apenas os momentos que nos é dado. São aqueles que nós devemos guardar e esse momento é agora!
Agora, devemos amar...
Agora, devemos lutar...
Agora, devemos perseverar...
O momento de ser feliz é agora!
Uma atitude negativa, irá minar todo o resto. Irá acentuar ainda mais o mal que se abateu em nós. Quantas vezes, nos vemos num mar de confusões, nos deixando ser massacrados por nossa própria condenação, esquecendo dos momentos de emoção!Somos envoltos por problemas e rotinas, que nos fazem esquecer das maravilhas da vida...
Temos de tentar pensar positivo, e a Vida irá compensar-nos por esse esforço extra! Fazendo assim, deixo de ser mais um, no meio de tantos e começo a dar sentido a tudo o que sou, a tudo o que faço. Agindo assim, começo a sentir-me mais leve.

BORBOLETAS...
Comparo a minha vida, como parkinsoniano, como o processo de vida de uma borboleta. Quando me foi dado o diagnóstico, não foi nada fácil receber esta notícia, foi fulminante! Então, iniciou-se a fase do casulo. É como se tivesse entrado no período de dormência. Não tinha forças para sair do casulo...
Com o passar do tempo, sabia que tinha de sair do casulo, de rompê-lo. Até que um dia, deu-se a transformação, a metamorfose. Abri o casulo e saí da escuridão. No início, foram necessárias todas as minhas forças para romper aquela capa que me envolvia. Saí dele, como quem veste uma 2ª pele. Quando o fiz, percebi que tinha asas. Percebi que era o dono da minha vida, do meu percurso. Percebi que tinha as asas para voar. As primeiras tentativas de vôo foram difíceis. Muitas quedas, muitas frustrações... Mas não desisti.
Hoje tenho uma auto-estima razoável, gosto de mim porque consegui lutar contra muita coisa. Olho para trás e por vezes não entendo como consegui chegar até aqui. Foi precisa muita determinação e força... Todo o resto é superável, porque se consegui resolver a minha vida nessas alturas, já nada me detém.
Não lamento o estado de dormência, assim como não lamento tudo o que fiz na minha vida. Mesmo o mal que fiz... E é isso mesmo: eu sou quem sou pelas minhas vivências e experiências. Somos todos o resultado do nosso passado.
E tal como a borboleta, atravessei um período de dormência e escuridão, seguida de liberdade e movimento.
Mesmo sem saber, muitos precisam de uma libertação semelhante.

MUDANÇAS
A Vida é feita de pequenas e grandes mudanças que nos vão aparecendo. O problema é quando essas mudanças não estão previstas, quando aparecem sem bater à porta. Quando penso que dei dois passos para frente e, de repente, percebo que afinal dei um para trás. Mais uma vez, encaro este obstáculo e tenho de tomar uma decisão. Ser forte, seguir em frente, encontrar as energias positivas que se espalharam por todo o lado, reuni-las de novo, concentrá-las e senti-las... Eu avanço, porque a decisão está tomada.
Acho fantástica a forma como lidamos com as nossas adversidades, com as nossas divergências. Faz me sentir que tudo vale à pena.
Agradeço a DEUS todos os dias, por me dar a oportunidade de me conhecer, de me confrontar com os meus próprios defeitos, de aprender a amar, de aprender a aceitar o defeito dos outros, de errar e poder remendar, de viver.
Nada é eterno, e acho que todos nós sabemos disso.

 

©2009 CONVERSA DE PARKINSONIANO | by TNB